Institucional Consultoria Eletrônica

A escola e o futuro da escola


Publicada em 09/11/2017 às 09:00h 

Dois milhões de crianças nos Estados Unidos não freqüentam escolas. São educadas pelos próprios pais em suas casas. Em 1999 eram 850.000. 


Esse dado espantoso da Home School Legal Defense Association está deixando educadores e administradores do sistema educacional americano realmente preocupados. Hoje, nos EUA, uma em cada 25 crianças está fora da escola. Essas crianças são educadas em suas próprias casas.

 
O direito de ensinar seus filhos em suas própria casas, é hoje, legal em 50 estados americanos. Vinte e oito estados exigem que essas crianças passem por algum teste oficial. Treze estados simplesmente exigem que os pais informem o governo que estão educando seus filhos em casa. No estado do Texas nada é exigido, nem mesmo um comunicado dos pais às autoridades educacionais.

 
O mercado de material educacional especialmente dirigido aos pais que ensinam seus filhos em casa soma hoje nada menos que 850 milhões de dólares por ano. Mais de 75% das universidades americanas têm hoje algum tipo de política para lidar com estudantes advindos de sistemas domésticos de educação.


Para resolver o problema do isolamento das crianças que aprendem em suas próprias casas uma rede de novas instituições de apoio tem surgido. Os pais têm à disposição laboratórios virtuais e físicos onde os filhos podem participar de experiências em ciências, por exemplo. Times de vários esportes são formados em várias comunidades, somente com crianças que estudam em casa, etc. 


Esse movimento de educação dos filhos em casa é ainda mais impressionante quanto analisamos dois fatos: (a) primeiro, o comprometimento dos pais com a educação individualizada de seus filhos num país onde o sistema educacional público é gratuito e em geral, de boa qualidade; (b) o segundo é o fato de que para educar seus filhos em casa um dos pais (geralmente a mãe) tem que abrir mão de uma renda extra
- seu trabalho - para ficar em casa e educar seus filhos. Isso num pa í s onde o desemprego é baixo e as oportunidades de emprego s ã o, portanto, dispon í veis.


O fen
ô meno de educa çã o em casa está tão difundido nos EUA que as lojas J.C.Penney (Lojas Renner, no Brasil), lançaram uma camiseta com os dizeres "Home Schooled" (Educado em Casa) com a figura de um trailler. Houve tanta reclamação por parte de pais que têm seus filhos em escolas públicas que a loja teve que parar de vender as ditas camisetas. A alegação dos que protestaram foi a de que seus filhos, descontentes com a escola pública, poderiam pressionar seus pais pela educação doméstica.


 Um dos mais fortes argumentos a favor da educação em casa é que ela provê uma educação individualizada e que a criança pode aprender de acordo com seu próprio ritmo de aprendizagem em vez de ter que aprender no ritmo de uma "maioria" da classe. Outro argumento
- dos mais fortes - é o de que com a educação doméstica os pais podem passar a seus filhos os valores que realmente desejam que seus filhos tenham e não deixar que eles fiquem à mercê dos valores de professores com formação duvidosa. Enfim, eles acreditam que uma educação doméstica é, simplesmente, melhor que uma educação pública.

E os números vão a favor dos defensores da educação em casa. A Universidade de Harvard
- uma das mais dif í ceis de se entrar nos EUA - j á tem alunos brilhantes provenientes de educa çã o dom é stica. H á um escritor americano de sucesso que foi educado em casa por seus pais. O primeiro, segundo e terceiro colocados no ano 2000 no concurso nacional de "soletrar" (muito prestigiado nos EUA pela dificuldade em se soletrar corretamente palavras na língua inglesa) foram crianças educadas por seus próprios pais. Já há até uma universidade - Patrick Henry College - na Virg í nia - onde quatro em cada cinco estudantes s ã o advindos de sistemas dom é sticos de educa çã o.

 
Assim, neste mundo de grandes transforma
çõ es globalizadas que estamos vivendo esta parece ser apenas mais uma "mudança" das tantas que ainda, surpresos, veremos acontecer. 


Pense nisso!

 


Por Luiz Marins






Sobre o(a) colunista:



Autor: Luiz Marins - Antropólogo. Estudou Antropologia na Austrália (Macquarie University) sob a orientação do renomado Prof. Dr. Chandra Jayawardena (Sri Lanka) e na Universidade de São Paulo (USP) sob a orientação da Profa.Dra. Thekla Hartamann, autor de mais de 13 livros.
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