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Oito empreendedoras que levantam outras mulheres


Publicada em 31/03/2019 às 14:00h 

No mês da mulher, compartilhamos histórias de mulheres que abriram negócios com um propósito: segurar na mão da outra


1 - Nenhum direito a menos

Sozinha ando bem, mas contigo ando melhor. Essa é a frase que inspira o trabalho da advogada Gabriela Ribeiro de Souza, 32 anos. Embora trabalhe no ramo há 9 anos, ela criou em 2017 o primeiro escritório totalmente voltado para mulheres. "Sabemos que muitas mulheres vieram antes da gente e respeitamos muito todas elas, mas não existia um escritório focado para atender todas as áreas. Não somos especialistas em tudo, mas fazemos parcerias com advogadas de diversas especialidades", conta Gabriela. A motivação para abrir o escritório foi por entender que o direito ainda é diferente para as mulheres e para os homens. "As mulheres precisam de um atendimento diferenciado porque passam por situações diferenciadas. O direito nos foi negado por muito tempo. Não só o direito processual, como também os nossos direitos; a gente teve que lutar por eles. Então, precisamos ter uma visão diferenciada do que é o direito para um homem e do que é o direito para uma mulher. "

Ao longo dos dois anos de atuação, o escritório de Gabriela já trabalhou com mais de 20 advogadas parceiras e atendeu cerca de 500 clientes. Além disso, nas redes sociais, a página conta com mais de 20 mil seguidores. Por lá, a advogada publica conteúdos informativos sobre Direito. "Esse escritório existe porque acredito que o conhecimento jurídico empodera. A porta da nossa sala de espera está sempre aberta. De vez em quando, as mulheres vêm, sentam um pouquinho, esperam e depois conversam com a gente. Virou um referencial", conta.

A atuação como advogada feminista é, como define Gabriela, mexer em um vespeiro. "O judiciário é muito machista, os colegas advogados são muito machistas, então é muito difícil estar sozinha. " Para ajudar outras advogadas a abrirem os seus próprios escritórios, Gabriela criou um manual que explica os trâmites para abrir um escritório e está sempre aberta para dialogar com as colegas que desejam atuar na causa. Isso porque ela acredita que olhar para mulheres dessa maneira é um agente prático de mudança. "Como advogada feminista, me vejo como uma agente da transformação social. Provoco o judiciário com questões que não estavam em pauta. " Ela ainda dá uma dica para as advogadas que estão ingressando nesse segmento. "Não é um nicho de mercado. Se você vai fazer advocacia feminista para ganhar dinheiro, nem entra. Tem que ter identificação com a causa, senão você não consegue. Em compensação, eu nunca fui tão feliz no exercício da profissão. Às vezes, não consigo acreditar que consegui fazer da minha luta diária o meu projeto de vida profissional. É muito gratificante. "

2 - Educação financeira é para todas

Foi ao perceber que as mulheres não conversavam sobre dinheiro que a jornalista Leila Ghiorzi, 31, decidiu criar o projeto É Da Minha Conta. "Em 2014, fui morar no Rio de Janeiro e passei pelo processo de sair da casa dos meus pais. Comecei a conversar mais sobre isso, pedir dicas de como organizar financeiramente e comecei a ver a necessidade das pessoas de conversar sobre esse assunto", conta Leila, que procurou um curso de coaching financeiro para se especializar. Foi então que ela começou a desenhar o projeto voltado para mulheres. "Tenho um envolvimento com o feminismo e percebi que as mulheres não conversam sobre dinheiro como os homens conversam. A gente não é estimulada a conversar sobre isso."

O projeto possui o formato de atendimento premium, em que a coaching acompanha a cliente durante cinco meses. "Começamos desde organização básica até o que se deseja fazer com o dinheiro, desde esclarecer prioridades, falar sobre orçamento, investimentos. " Além desse formato, Leila atende pontualmente clientes que desejam investir e dá palestras e cursos. Ela conta que muitas mulheres a procuram por ter vergonha de tratar desse assunto em frente aos homens. Durante os cinco anos de atuação, a maior dificuldade de atuar no meio financeiro é, segundo ela, convencer os homens de que a ideia do projeto não é prejudicá-los. "Quando falo sobre isso com mulheres, elas falam que é necessário. Já os homens questionam por que o projeto é só para mulheres. Acredito que, na verdade, esses espaços só com mulheres precisam existir para que a gente se fortaleça. Precisam existir até que não sejam mais necessários. Mas, nesse momento, eles são. "

3 - 30 anos de luta pelo futebol feminino

Duda dispensa apresentações. Há mais de 30 anos no futebol, ela sempre manteve espaço aberto para as meninas que desejam ingressar no esporte. O interesse por ser uma atleta nasceu junto com a paixão pelo Inter. "Eu era vizinha do Valdomiro, craque do Inter na década de 70, e foi ali que nasceu minha paixão pelo Inter. Com 13 anos, vi um anúncio no jornal e fui fazer uma seleção no clube. Na época, não tinha categoria de base. Então, com 14 anos joguei meu primeiro campeonato brasileiro", conta Duda, que atuou por oito anos na Seleção Brasileira e também na Itália, no Milan e no Verona.

Escola da Duda, hoje com 28 anos, é uma das mais tradicionais do Estado. No início, o projeto era só para meninas; hoje também é aberta para meninos, que somam 80% do público da escola. Há três anos, Duda faz parte do projeto de retomada do futebol feminino no Inter. Como coordenadora técnica, ela conta que este ano o time está na elite do futebol. "O Inter, esse ano, tem um time profissional, com vínculo na CBF, com atletas com carteira assinada. É o terceiro ano do futebol feminino no clube e estamos na Série A, junto com a elite do futebol no País."

Comparando o tempo que começou no futebol com o presente, é possível ver muitas diferenças, segundo Duda. "A gente sempre quis torcida, e hoje temos mais de 8 milhões de torcedores nos acompanhando. Sempre desejamos calendário e hoje a CBF tem um só para o futebol feminino. Queríamos clubes fortes, e hoje isso está crescendo." No entanto, apesar de mudanças significativas, ainda existem muitas dificuldades. "Falta a federação gaúcha apoiar um um pouco mais, principalmente as categorias de base.

Também precisamos de mais apoio da mídia porque a partir do momento que tiver visibilidade vamos ter patrocínio e menos dificuldade de divulgar os nossos resultados." Para as atletas que estão começando, a dica é persistência. "A palavra desistir não existe no meu vocabulário. Amo o que eu faço e hoje a gente está no lugar certo, no momento certo e o futebol feminino vai ser 'o' esporte."

4 -  Camisetas para mandar o recado

Bêrga Tees se propõe a trazer mais personalidade para os looks do dia. Comandada pela estudante de publicidade Júlia Bertaso Barbieri, 19, e pela psicóloga Paula Fernandes Aiquel, 27, a marca nasceu durante a Copa do Mundo de 2018. "Começamos na Copa porque as pessoas queriam se envolver com o evento, mas não queriam gastar muito. Então criamos camisetas com frases engraçadas para ser uma opção mais barata para torcer", conta Júlia. No término do evento, a marca decidiu apostar em camisetas feministas, tema que as sócias se identificam. "Tem várias marcas que fazem camisetas feministas, então uma forma que a gente achou de trazer isso de uma maneira diferente foi trazer frases de filmes e séries. É uma forma leve de trabalhar o tema."

A camiseta mais vendida nos primeiros nove meses de marca leva a frase "Empieza el Matriarcado", dita pela personagem Náirobi, da série La Casa de Papel. Júlia acredita que o diferencial é trabalhar com algo que elas realmente se identificam. "Sempre quis empreender, mas não gosto de criar uma coisa que eu não vejo um significado maior. Não queria vender por vender. Colocar essas questões nas nossas camisetas é uma forma das pessoas se envolverem também. As clientes falam com a gente como se fossemos amigas. Elas sabem que são mulheres por trás da marca e a questão da representatividade é muito importante."

5 - Reconfortar mulheres através da arte

Com mais de 160 mil seguidores no Instagram, a página Isadora Não Entende Nada é comandada pela Isadora Laís Brandelli, de 27 anos, que diariamente publica ilustrações e poemas sobre o universo feminino. Em 2012, a artista sentiu necessidade de criar um espaço para publicar seus textos e desenhos. "Eu já desenhava e escrevia bastante e alguns amigos sempre falavam pra eu criar uma página minha. Mas não tinha nome e não queria que fosse apenas o meu. Um dia eu peguei um livro de contos do Eduardo Galeano chamado Mulheres e abri aleatoriamente. O conto da página em que abri se chamava Isadora, sobre a Isadora Duncan. A primeira frase que eu li foi 'Isadora não entende nada'. Na hora me pareceu o nome perfeito pra essa mistura de arte e poesia que eu fazia e não sabia nada", diverte-se Isadora.

Com um grande alcance nas redes sociais, Isadora conta que é gratificante saber que o seu trabalho consegue confortar outras mulheres. "Me deixa feliz e realizada que os meus sentimentos colocados no papel em forma de poesia, texto e ilustração consigam dar apoio e conforto. As temáticas tem muito a ver comigo, dificuldades que eu passei com a minha saúde mental e emocional, e eu sei o quanto é difícil viver fases assim." Com dois livros publicados de maneira independente, a artista também comercializa na sua loja on-line prints de seus desenhos e camisetas com estampas criadas por ela.

Em seus desenhos, ela representa diferentes mulheres, com diversos corpos, cabelos, cor de pele. "Como mulher, fui ensinada que as outras são minhas inimigas, que corpos diferentes são feios e que só o padrão importa. Mesmo não seguindo o padrão, por muito tempo a gente continua achando estranho o corpo que destoa da capa da revista. Minhas ilustrações são feitas com base em fotos e é nessa procura que eu vejo como somos muitas - apesar de ser bem mais difícil encontrar referências de mulheres fora do padrão. Tive que aprender a desenhar outros corpos, outras cores, outros rostos e isso é sempre um desafio. Tento realmente preservar essas diferenças e mostrar que existem muitos tipos de belezas." Para Isadora, o sentido do seu trabalho enquanto artista é conseguir reconfortar outras mulheres. "Se a mensagem que eu passo trouxer um mínimo de alívio e força para uma pessoa que seja, o meu trabalho já ganha todo sentido do mundo pra mim."

6 - Bordado como rede de apoio

Criado em 2016, o Bordado Empoderado foi fundado pela artista têxtil e fotógrafa Bruna Antunes para ressignificar o bordado, mostrando a técnica em um novo formato, mais atual e feminista. Com mais de mil alunas ao longo de três anos, o projeto consiste em oficinas que ensinam diversos tipos de bordado. Para Bruna, um dos legados do projeto é criar redes de apoio entre as mulheres que frequentam as suas aulas. "Mulheres unidas por algumas horas formam rede, trocam ideias, sentem-se encorajadas a buscar seus sonhos e objetivos. Meu trabalho, muito mais do que ensinar a técnica do bordado livre, se orienta pela vontade de juntar mulheres de realidades diversas por algumas horas. Esses momentos - oficinas, encontros, rodas de bordado, imersões - são catalisadores de parcerias e promovem a valorização da economia criativa e o despertar de uma consciência sobre o consumo."

7 - Chás com mensagens inspiradoras

Criado há um ano, em São Paulo, pelas irmãs Laís e Nara Trajano, o The Feminist Teajá vendeu 10 mil packs de chás inspiradores e reúne mais de 40 mil seguidores no Instagram. Os chás levam mais de 600 mensagens de empoderamento feminino, com frases de mulheres famosas como Lady Gaga, Michelle Obama, Clarice Lispector. Além disso, o produto também tem mensagens inspiradas em frases populares, como "Não é Não" e "the future is female". Todos os blends de ervas têm nome de mulheres. O chá Simone, que homenageia Simone De Beauvoir, é uma mistura de hortelã, camomila, alecrim, maracujá, sálvia, salsa e canela, que, segundo as sócias, ajuda a relaxar, dormir melhor e lidar com stress. O chá que faz referencia a Eleonor Roosevelt leva Carqueja, orégano chileno, camomila, maçã e hibisco. Priorizando ervas orgânicas e ingredientes naturais, os produtos são vendidos em sacolinhas de tecido que contém 15 sachês pelo preço de R$ 29,90 no site da marca.

8 - Mais espaço para o empreendedorismo feminino

A proposta da Manas Loja e Espaço Coletivo é dar mais espaço para o empreendedorismo feminino. Criada em 2018 pelas sócias Carolina Cozzatti e Juliana Nogueira, o espaço colaborativo reúne o trabalho de 34 empreendedoras, sendo 90% delas mães. Esse é um aspecto muito importante para as sócias que se conheceram justamente em função da maternidade. Apesar de ter muitos produtos infantis, o Manas tem itens também para as mulheres. "Tem muitos lugares parecidos com o nosso, mas voltados somente para a criança. Aqui, a atenção é voltada para a mãe, para a mulher", conta Carolina. O espaço, que ainda não completou um ano, tem como meta seguir crescendo junto com todas as mulheres que estão ali: sócias, empreendedoras e clientes. "É um pouco pensando em nós, em como foi importante termos umas às outras nesse momento de pós-parto. E acreditamos naquela frase de que para criar uma criança é preciso uma aldeia. Então, a gente precisa de muitas mãos dadas e muito apoio", afirma Carolina.

Fonte: Jornal do Comércio RS








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