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Vergonha da democracia


Publicada em 10/04/2019 às 09:00h 

"Eu fiz essa abertura aí, pensei que fosse dar numa democracia e deu num troço que eu não sei bem o que é." (João Baptista de Oliveira Figueiredo)



O programa eleitoral gratuito no rádio e, em especial, na TV, coloca-nos diante de reflexões preocupantes acerca de nosso processo democrático.

 
Vamos começar pelo número de partidos. São 32 legendas, a grande maioria sem qualquer expressão, nitidamente criadas ou para usufruir do Fundo Partidário (dotações orçamentárias da União para assistência financeira aos partidos) ou para enaltecer interesses de algumas "personalidades" (que normalmente figuram como presidentes dos respectivos partidos). Não há como deixar de exemplificar esta tese a partir de um Levy Fidelix, que passou a vida inteira disputando pleitos diversos sem jamais ser eleito - atualmente é coadjuvante em sua 13ª candidatura.

 
Mas o pior está em relação aos candidatos. Principiando pelo discurso pasteurizado em defesa da "educação, saúde, transporte e segurança pública", tentando demonstrar autenticidade em temas que são simplesmente direitos sociais constitucionais. "Quero ser a sua voz no Congresso", proclamam alguns. Às favas com esta retórica medíocre!

 
Candidatos despreparados, semianalfabetos, fichas-suja. Gente que deseja fazer da política uma profissão, quando deveria ser uma missão em prol da sociedade. Pessoas muitas vezes interessadas na infraestrutura proporcionada pelo cargo, objetivando ganhar muito, trabalhar pouco, usufruir de benefícios, praticar nepotismo e, uma vez ao ano, propor projetos ridículos como criação de datas comemorativas ou "moção de aplausos".

 
Segundo o portal Transparência Brasil, cada parlamentar custa aos cofres públicos mais de 10 milhões de reais por ano! Anote aí: além do salário, há verba para aluguel, alimentação, combustível, pesquisa, consultoria, além de apartamento funcional com telefone liberado e gabinete com até 25 funcionários, no caso de um deputado federal.

 
O ícone deste processo eleitoral tem nome e chama-se Tiririca. O segundo deputado mais votado na história do Brasil, com mais de 1,3 milhão de votos, foi considerado um dos melhores parlamentares do país por dois anos consecutivos recebendo o Prêmio Congresso em Foco, que pergunta aos votantes: "Quem melhor representa a população no Congresso?". A julgar por este resultado, imagine como são os piores parlamentares...


Uma das maiores distorções é o sistema de votação proporcional que permite a um Tiririca eleger, além de si mesmo, outros três candidatos como ocorreu na última eleição. De volta à campanha, o palhaço faz graça na televisão em quase um minuto e meio em horário nobre, imitando Roberto Carlos, posando ao lado de um veículo velho, sem dizer o que fez, porque nada fez e nada fará. Desculpem-me pela franqueza, mas quem o elege não o faz como voto de protesto, mas sim como voto de estupidez.

 
Diante disso, difícil não se envergonhar da classe política, do processo eleitoral e mesmo do sistema democrático como concebido.

Por Tom Coelho






Sobre o(a) colunista:



Tom Coelho é autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, além de consultor, professor universitário e palestrante. Com formação em Publicidade pela ESPM, Economia pela FEA/USP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, é mestrando em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente pelo Senac. Diretor da Lyrix Desenvolvimento Humano, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br.



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