A melhoria da qualidade das informações fornecidas aos usuários das
demonstrações financeiras e a adequação do regramento à realidade das Pequenas
e Médias Empresas (PMEs) são alguns dos benefícios pretendidos com a revisão
daNorma de Contabilidade para as PMEs, divulgada no dia 27 de fevereiro de 2025
peloInternational Accounting Standards Board (Iasb). Apesar
das mudanças propostas, a norma ainda enfrenta relevantes desafios, como a
respectiva implementação, conforme alerta a conselheira do Conselho Federal de
Contabilidade (CFC) e Chair do Small and Medium Practices Advisory
Group da International Federation of Accountants (Ifac),
Monica Foerster.
Para a conselheira, o
impacto da revisão pode ser significativo, pois a atualização da norma facilita
a conformidade das demonstrações contábeis. "Isso permite que as Pequenas e
Médias Empresas mantenham a escrituração contábil consistente e comparável para
distintos fins como a apresentação ao mercado e potenciais investidores, a
clientes, fornecedores e instituições financeiras. Cabe mencionar, porém, que
mesmo com a 'simplificação' da norma frente às normas completas (IFRS Full),
os desafios de implantação pelas Pequenas e Médias Empresas no Brasil ainda são
relevantes", pondera Foerster.
Entre os obstáculos
enfrentados pela implementação estão o desconhecimento do conteúdo da norma e a
limitação de recursos (técnicos, operacionais, tecnológicos e financeiros)
enfrentada pelas Pequenas e Médias Empresas. Para superar esses entraves, a
atuação dos conselhos e instituições no suporte à Norma Pequenas e Médias
Empresas é fundamental. Esse suporte à norma perpassa principalmente pelo apoio
dessas instituições, inclusive na difusão de seu conteúdo, bem como suas
revisões e aplicações, junto ao mercado e aos profissionais de contabilidade
que atendem a essas empresas, entre outras ações.
Cabe ressaltar que a
dimensão do desafio é imensa. A revisão tem a previsão de impactar os mercados
das 85 jurisdições em todo o mundo que adotam o regramento, entre elas, o
Brasil. No país, a previsão é que essa iniciativa afete até 9 milhões de
empresas. Por isso, a relevância do assunto para o mercado nacional.
Recepção e impacto no país
A recepção dessas
atualizações no Brasil demandará algumas atualizações no regramento nacional
que trata dessas empresas. A principal delas é a revisão da Norma Brasileira de
Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas e das interpretações vigentes no
país dela decorrentes, conforme ressalta a conselheira.
"A principal norma que
precisará ser atualizada é a NBC TG 1000 (R1), que trata da Contabilidade para
pequenas e médias empresas. A partir daí, também a atualização das Normas NBC
TG 1001, para Pequenas Empresas, e a NBC TG 1002, para Microentidades, e das
interpretações e comunicados em algum nível vinculados à Contabilidade de
PMEs".
Para Monica Foerster, o
resultado dessas atualizações poderá impactar o mercado positivamente.
"A atualização da Norma de
Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas pode levar a uma maior
transparência e comparabilidade das demonstrações financeiras. Isso pode
facilitar o acesso ao crédito, atraindo investidores e melhorando a confiança
no mercado, bem como aumentando as possibilidades de competitividade das
pequenas e médias empresas no mercado nacional e internacional".
Ainda segundo a conselheira,
outro aspecto positivo que pode ser gerado no mercado é o incentivo e a
formalização de negócios, já que as empresas poderão operar com normas que
refletem de forma mais fidedigna suas realidades.
O que muda?
A revisão realizada incluiu
alterações nas definições de ativos, passivos, receitas e despesas, bem como
simplificações nos requisitos de divulgação, sendo as atualizações decorrentes
das recentes atualizações ocorridas nas normas IFRS Full.
O foco dessa melhoria está
na revisão da Seção 23 - Receitas da Norma - de modo que essa passe
a se basear na IFRS 15 - Receita de Contrato com Cliente -.
A adequação da Seção 23 à
IRFS 15 foi motivada pela iniciativa do International Accounting Standards Board (Iasb)
que simplificou a IRFS 15 para que essa estivesse em acordo com a realidade das
PMEs que têm contratos mais simples com clientes e menos recursos do que as
empresas que aplicam as Normas Contabilísticas IFRS completas. Cabe ressaltar
que a IFRS 15 introduziu requisitos mais abrangentes e robustos para
reconhecimento, mensuração e divulgação de receita.
As simplificações dessa
atualização foram desenvolvidas com base no feedback daqueles que preparam as
demonstrações financeiras de acordo com a Norma de Contabilidade para Pequenas
e Médias Empresas e com a IFRS 15. O feedback incluiu os resultados do trabalho
de campo com profissionais de contabilidade e o feedback da Revisão
Pós-implementação da IFRS 15.
Além do conteúdo, a
atualização da Seção 23 previu ainda o uso de uma linguagem simples e concisa,
consistente com a linguagem que as Pequenas e Médias Empresas usam quando
discutem contratos com clientes; limitação da quantidade de julgamento e
informação exigida às Pequenas e Médias Empresas que aplicam a Secção 23
revista; e a omissão de tópicos que o Iasb concluiu não serem relevantes para
as Pequenas e Médias Empresas.
Os requisitos de divulgação
na Seção 23 revisada farão com que as entidades forneçam aos usuários das
demonstrações financeiras informações sobre o valor, o momento e as incertezas
decorrentes de contratos com clientes.
Especificamente, a Seção 23
revisada exigirá que uma entidade forneça informações sobre:
- receita reconhecida de
contratos com clientes, incluindo a desagregação da receita em categorias
apropriadas;
- saldos contratuais,
incluindo os saldos iniciais e finais de contas a receber comerciais, ativos
contratuais e passivos contratuais;
- promessas em contratos com
clientes, incluindo a natureza dos bens ou serviços que a entidade
prometeu transferir e quando a entidade normalmente cumpre suas promessas;
- julgamentos significativos
feitos na aplicação dos requisitos; e
- ativos reconhecidos a partir
dos custos para cumprir um contrato com um cliente.
A íntegra da Minuta de Exposição da terceira revisão das Normas de
Contabilidade para as Pequenas e Médias Empresas pode ser acessada aqui.
Fonte:
CFC/Fenancon