Adolescentes
provenientes de vários estados e do Paraguai eram submetidos a treinamentos
intensivos, viviam em alojamento inadequado e estavam fora da escola no
município
Uma
ação conjunta coordenada pela fiscalização do trabalho do Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE) resultou no afastamento de 12 adolescentes, com idades
entre 14 e 17 anos, de uma situação caracterizada como trabalho infantil em um
centro de formação de atletas de futebol localizado no município de Portão, no
Rio Grande do Sul. A força-tarefa contou com a participação do Ministério
Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF), Ministério Público do Estado
do Rio Grande do Sul (MP-RS), Conselho Tutelar e da Secretaria Municipal de
Assistência Social de Portão.
De
acordo com informações da auditoria fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego
os adolescentes eram provenientes de diversas localidades do Rio Grande do Sul,
estados como Paraná e Rio de Janeiro ou vindos do país vizinho, Paraguai. Eles
estavam em regime de alojamento e cumpriam uma rotina sistemática de
treinamentos voltados ao alto rendimento esportivo, sendo constantemente
avaliados por empresários e agentes de futebol com vistas à profissionalização
no esporte.
A
auditoria fiscal do Trabalho esclarece que a prática não observava a legislação
brasileira referente à proteção ao trabalho de menores, tampouco as normas
estabelecidas pela Lei Geral do Esporte. Os adolescentes não possuíam contratos
voltados à formação esportiva nem contratos especiais de trabalho esportivo e a
estrutura oferecida não atendia aos requisitos legais exigidos para entidades
de formação. Dessa forma, o centro não poderia manter adolescentes alojados nem
desenvolver atividades formativas com eles.
Além
disso, informa a fiscalização, alguns adolescentes oriundos de outros estados
ficaram fora da escola por determinado período e os provenientes do Paraguai
não frequentavam aulas regulares com professores. Eles recebiam apenas fotografias
dos cadernos de colegas para copiar a matéria, sem acompanhamento docente - o
que indica provável baixo aproveitamento escolar, caso esse tipo de ensino seja
sequer reconhecido oficialmente pelo sistema educacional paraguaio.
Os
auditores fiscais do Trabalho que integram a ação entregaram formalmente aos
responsáveis Termo de Afastamento do Trabalho dos menores, determinando a
paralisação imediata das atividades irregulares, tendo de providenciar o
retorno dos adolescentes ao convívio familiar em suas localidades de origem.
Combate ao trabalho infantil
O
combate ao trabalho infantil está entre as prioridades do governo federal, que
tem intensificado a atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho por meio de
operações, capacitações e articulações interinstitucionais. O objetivo é
garantir que todas as crianças e adolescentes brasileiros, independentemente da
sua condição socioeconômica, tenham o direito assegurado a um desenvolvimento
pleno, com acesso à educação, saúde, alimentação, lazer e convivência familiar,
livres de qualquer forma de negligência, exploração ou violência.
Denúncias de
trabalho infantil podem ser feitas por meio do Sistema Ipê Trabalho Infantil,
disponível em: https://ipetrabalhoinfantil.trabalho.gov.br .
Fonte: Ministério do Trabalho e
Emprego, com edição do texto pela M&M
Assessoria Contábil