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Inadimplência empresarial bate recorde e atinge 8,7 milhões de empresas no Brasil


Publicada em 09/01/2026 às 16:00h 

Crédito restrito, juros elevados e atividade fraca pressionam caixa das empresas e elevam dívidas a R$ 204,8 bilhões

A inadimplência das empresas brasileiras alcançou um novo patamar histórico em outubro de 2025. Ao todo, 8,7 milhões de companhias registraram ao menos um compromisso financeiro em atraso, o maior volume desde o início da série histórica em 2016. O montante total das dívidas somou R$ 204,8 bilhões, evidenciando um cenário de forte deterioração financeira no setor produtivo.


Os dados mostram que o endividamento está pulverizado: em média, cada empresa inadimplente acumulava 7,1 contas vencidas, com dívida média de R$ 23,6 mil. O valor médio por obrigação atrasada foi de aproximadamente R$ 3,3 mil, o que reforça o peso do passivo recorrente, especialmente entre negócios de menor porte.

Micro e pequenas empresas concentram maior fragilidade


A inadimplência tem impacto desproporcional sobre micro, pequenas e médias empresas, que respondem pela ampla maioria dos CNPJs negativados. Esse grupo reúne mais de 8 milhões de empresas inadimplentes, concentrando cerca de R$ 184,6 bilhões do total das dívidas.


Esses negócios são mais sensíveis à combinação de juros elevadosmenor oferta de crédito e desaceleração da atividade econômica, fatores que reduzem a capacidade de renegociação e comprometem o fluxo de caixa. Empresas de maior porte também sentem os efeitos do ambiente adverso, mas tendem a contar com maior estrutura financeira para atravessar períodos de retração.


Crédito mais caro e economia fraca limitam reação das empresas


A restrição no crédito tem sido um dos principais obstáculos para a reorganização financeira das empresas. Com bancos mais cautelosos e spreads elevados, muitas companhias encontram dificuldades para rolar dívidas ou acessar capital de giro, o que amplia o risco de inadimplência.

Além disso, o ritmo mais fraco da atividade econômica reduz receitas e margens, tornando o ajuste financeiro ainda mais complexo. Esse cenário pressiona especialmente empresas que operam com baixo capital de reserva e alta dependência de crédito de curto prazo.

Serviços e comércio lideram inadimplência por setor


O setor de serviços concentrou a maior parcela das empresas inadimplentes, seguido pelo comércio e pela indústria. Juntos, esses segmentos refletem diretamente o impacto da desaceleração do consumo e do custo elevado do crédito.


No recorte das dívidas negativadas, serviços também aparecem na liderança, à frente de operações ligadas a bancos e cartões. Regionalmente, o Sudeste concentra o maior número de empresas no vermelho, enquanto Norte e Centro-Oeste registram volumes menores, acompanhando a distribuição da atividade econômica no país.


Protestos crescem e aumentam pressão sobre empresas


O agravamento do cenário também se reflete no avanço dos protestos de dívidas. Em 2025, os registros cresceram de forma significativa, indicando maior uso desse instrumento para recuperação de crédito. A expectativa é de intensificação no próximo ano, com a ampliação do protesto eletrônico logo após o vencimento das obrigações.


Embora esse mecanismo possa acelerar a recuperação de valores, ele também tende a aumentar a pressão sobre empresas já fragilizadas, elevando o risco de exclusão financeira e dificultando o acesso a novas linhas de crédito.

Perspectivas seguem desafiadoras


A combinação entre inadimplência elevada, crédito restrito e incertezas econômicas sugere que o ambiente continuará desafiador no curto prazo. Sem melhora consistente nas condições financeiras ou redução relevante dos juros, a tendência é de manutenção de níveis elevados de inadimplência, especialmente entre pequenos negócios.


O cenário reforça a importância de políticas de crédito mais equilibradas, estratégias de renegociação eficientes e maior atenção à gestão financeira como fatores essenciais para atravessar o atual ciclo econômico.

Fonte: Contraponto








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