O colapso do SAC tradicional e a ascensão do atendimento imediato,
hiperpersonalizado e integrado à vida digital do consumidor
Se hoje a sua empresa ainda pede para o cliente "digitar 1 para
financeiro" ou aguardar na linha ouvindo música clássica, o sinal de alerta já
deveria estar ligado. O conceito de SAC que dominou as últimas duas décadas
está colapsando, e o que veremos em 2026 não é apenas uma evolução, mas uma
ruptura total no modelo de relacionamento entre marcas e pessoas.
A era da "abertura de chamados" acabou.
Entramos na era da resolução
imediata.
Para o consumidor que ditará as regras nos próximos anos, a
paciência para a entraves é zero. Ele não quer baixar o aplicativo da sua
marca, não quer fazer login em um portal de suporte e, definitivamente, não
quer falar ao telefone - pesquisas de mercado já indicam que uma grande parcela
dos clientes simplesmente ignora chamadas de voz, preferindo resolver
pendências em canais digitais. A projeção para 2026 é clara: o atendimento
deixará de ser um departamento estanque para se tornar uma conversa fluida,
constante e, acima de tudo, resolutiva.
O WhatsApp como o "Sistema Operacional" do Atendimento
A grande mudança comportamental não é apenas a digitalização, mas a
centralização da vida no WhatsApp. No Brasil, o aplicativo transcendeu a função
de mensageiro para se tornar o sistema operacional do dia a dia.
O desafio para as marcas é transformar esse canal - que hoje,
muitas vezes, é apenas uma triagem frustrante ("olá, sou seu assistente
virtual") que joga o cliente para um humano - em um hub capaz de resolver
problemas complexos. Seja para uma renegociação financeira, uma dúvida técnica,
uma renovação de contrato ou o envio de uma segunda via, o cliente espera que
tudo aconteça na mesma janela onde ele conversa com a família, 24 horas por
dia, 7 dias por semana.
Se a sua empresa força o usuário a sair do WhatsApp para "acessar o
site" ou "ligar no 0800", você está criando um atrito que o seu concorrente já
eliminou.
A Tecnologia que Ouve, Entende e Resolve (Multimodalidade)
Aqui é onde a tecnologia separa quem
sobreviverá de quem ficará para trás. Os chatbots baseados em árvores de
decisão (regras fixas e limitadas) estão dando lugar aos Agentes de IA.
Essas soluções, impulsionadas por Inteligência Artificial
Generativa e Grandes Modelos de Linguagem (LLMs), trazem capacidades que serão
o padrão em 2026:
1. O Fim da Ditadura do Texto: O
brasileiro adora mandar áudio. Um atendimento moderno precisa ser multimodal.
A tecnologia atual já permite que o agente virtual receba uma mensagem de voz
reclamando de uma fatura, transcreva o conteúdo, entenda a frustração (análise
de sentimento), cheque o sistema e responda com um áudio natural explicando a
solução.
2. Resolução Visual e Documental: Não basta falar. O agente precisa agir. Imagine um cliente
com dúvida sobre como pagar um acordo. A IA do futuro não apenas envia o código
de barras, mas gera o PDF do boleto na hora e, se necessário, envia um vídeo
curto tutorial dentro do próprio chat explicando o passo a passo.
3. Segurança e Privacidade: Com
a LGPD, o atendimento via IA precisa mascarar dados sensíveis em milissegundos,
garantindo que a conveniência não comprometa a segurança da informação.
Empresas de tecnologia nacionais, como a Trabbe,
têm liderado essa transformação com o conceito de Hyper Agentes autônomos. A
diferença crucial dessa abordagem é que a IA possui autonomia conectada ao CRM
da empresa para consultar dados em tempo real e executar ações - como
renegociar uma dívida ou renovar um serviço - sem intervenção humana.
O Atendimento "Híbrido Invisível"
Isso significa o fim do atendente humano? Pelo contrário. A
tendência é o que o mercado chama de "atendimento híbrido invisível".
A inteligência artificial assume o trabalho pesado, resolvendo
cerca de 90% das interações de forma autônoma e instantânea. Isso retira da
equipe humana a carga de tarefas repetitivas e burocráticas, permitindo que as
pessoas se dediquem a funções mais estratégicas e consultivas.
Em 2026, ser atendido por um humano será um
serviço premium para situações de crise ou alta
complexidade emocional. Para todo o resto - a dúvida rápida, o agendamento, a
cobrança -, a eficiência da máquina será a preferência do próprio consumidor,
que valoriza a velocidade acima de tudo.
A Era da Hiperpersonalização
Por fim, o "café com leite" do atendimento genérico não terá mais
espaço. O Agente de IA de 2026 saberá quem é o cliente antes da primeira
mensagem. Ele adaptará o tom de voz - sendo mais formal com um perfil
conservador ou mais direto com um perfil prático - e oferecerá soluções
baseadas no histórico de comportamento daquele indivíduo.
A pergunta que fica para as empresas não é "se" devem adotar essa
tecnologia, mas "quando". Porque, na velocidade em que o comportamento do
consumidor muda, 2026 já começou. E ele não está disposto a esperar na linha.
Fonte:
Contraponto