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Como a reestruturação financeira pode recuperar eficiência e gerar valor nas empresas


Publicada em 27/02/2026 às 16:00h 

Como decisões financeiras estratégicas, cultura organizacional e gestão de caixa definem a sobrevivência e o crescimento das empresas

A reestruturação financeira deixou de ser um tema restrito a momentos extremos de crise e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas de empresas que buscam eficiência, sustentabilidade e crescimento com valor real. Esse foi o fio condutor do episódio 227 do Podcast ContraPonto, apresentado por Pedro Felipe e Marcos Guerra, que recebeu Rodrigo Mariusso para uma conversa profunda, prática e sem rodeios sobre finanças corporativas, gestão e tomada de decisão em ambientes complexos.

Logo na abertura, o episódio assume um tom de reencontro. Rodrigo Mariusso retorna ao programa após mais de dois anos, período em que o ContraPonto cresceu, se consolidou como referência no mercado de crédito e cobrança e ampliou sua atuação como portal de informação e conexão entre profissionais do setor. A conversa rapidamente sai do campo institucional e entra no território que interessa ao gestor que vive a pressão do dia a dia: como equilibrar vendas, custos, caixa e pessoas sem comprometer o futuro da empresa.

Ao longo do episódio, Rodrigo compartilha sua trajetória em áreas de planejamento e finanças, passando por empresas de serviços, startups e operações com diferentes níveis de maturidade. A experiência prática é usada como base para um ponto central defendido de forma consistente: reestruturar financeiramente não é apenas cortar despesas, mas entender profundamente o negócio, seus produtos, seus custos reais e a forma como o dinheiro circula dentro da operação. Segundo ele, muitas empresas apresentam margens aparentemente saudáveis, mas enfrentam sérios problemas de caixa por falta de integração entre comercial, financeiro e controladoria.

Pedro Felipe conduz a conversa provocando reflexões sobre a realidade de empresas de prestação de serviços, especialmente aquelas que iniciam o mês sem clareza total sobre quanto irão faturar. Nesse cenário, a previsibilidade é menor, o risco é maior e a disciplina financeira precisa ser ainda mais rigorosa. Marcos Guerra complementa destacando que vender sem critério pode ser tão perigoso quanto não vender. A busca por crescimento a qualquer custo, sem respeito a uma margem mínima aceitável, tende a gerar distorções que mais cedo ou mais tarde se transformam em crise.

Venda, margem e o risco de crescer sem controle

Um dos pontos mais relevantes do episódio é a defesa da convivência produtiva entre as áreas comercial e financeira. Para Rodrigo Mariusso, se essas áreas não discordam em algum momento, algo está errado. O conflito saudável é o que garante equilíbrio. Enquanto o comercial puxa para o crescimento, o financeiro impõe limites baseados em dados, custos, impostos e capacidade operacional. O problema surge quando uma dessas forças se sobrepõe completamente à outra, criando decisões desconectadas da realidade do negócio.

Indicadores financeiros exigem contexto e integração

A discussão avança para o uso de indicadores financeiros e, nesse momento, o episódio se distancia de abordagens simplistas. O EBITDA é reconhecido como uma métrica importante, mas insuficiente quando analisada isoladamente. Fluxo de caixa, segundo Rodrigo, continua sendo o termômetro mais sensível da saúde financeira, especialmente em períodos de instabilidade. Empresas podem apresentar bons resultados contábeis e ainda assim quebrar por falta de liquidez, assim como podem ter margens menores, mas sobreviver graças a uma gestão de caixa eficiente e negociações bem conduzidas com fornecedores e clientes.

Reestruturação financeira não pode ignorar cultura e pessoas

Outro eixo central da conversa é a cultura organizacional. O episódio alerta para um erro comum em processos de reestruturação: cortar pessoas e custos sem avaliar o impacto cultural. Decisões tomadas apenas com base em números podem destruir ativos intangíveis valiosos, como conhecimento, engajamento e identidade organizacional. Rodrigo Mariusso relata situações em que demissões aparentemente necessárias geraram, no médio prazo, custos ainda maiores com recontratações e perda de alinhamento interno. Para ele, reestruturar sem destruir a cultura exige critério, sensibilidade e compreensão do papel das pessoas no desempenho financeiro da empresa.

Planejamento financeiro exige cenários realistas

O episódio também aborda planejamento e projeções financeiras, defendendo uma postura menos otimista e mais analítica. Trabalhar apenas com cenários favoráveis cria falsas expectativas e aumenta o risco de decisões equivocadas. A construção de cenários pessimistas e realistas é apresentada como uma prática essencial para garantir que a empresa consiga honrar seus compromissos mesmo quando o mercado não responde como esperado. Essa abordagem, segundo Rodrigo, foi determinante para atravessar momentos críticos ao longo de sua carreira.

Gestão financeira profissional como fator de sobrevivência

Ao final, Pedro Felipe e Marcos Guerra reforçam a principal mensagem do episódio: finanças não devem ser tratadas de forma amadora ou intuitiva. A gestão financeira exige método, dados, acompanhamento constante e profissionais que compreendam profundamente o negócio, e não apenas números em planilhas.

Fonte: Portal Contraponto








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