Como decisões
financeiras estratégicas, cultura organizacional e gestão de caixa definem a
sobrevivência e o crescimento das empresas
A reestruturação financeira deixou de ser um
tema restrito a momentos extremos de crise e passou a ocupar o centro das
decisões estratégicas de empresas que buscam eficiência, sustentabilidade e
crescimento com valor real. Esse foi o fio condutor do episódio 227 do Podcast
ContraPonto, apresentado por Pedro Felipe e Marcos Guerra, que recebeu Rodrigo
Mariusso para uma conversa profunda, prática e sem rodeios sobre finanças
corporativas, gestão e tomada de decisão em ambientes complexos.
Logo na abertura, o episódio assume um tom de
reencontro. Rodrigo Mariusso retorna ao programa após mais de dois anos,
período em que o ContraPonto cresceu, se consolidou como referência no mercado
de crédito e cobrança e ampliou sua atuação como portal de informação e conexão
entre profissionais do setor. A conversa rapidamente sai do campo institucional
e entra no território que interessa ao gestor que vive a pressão do dia a dia:
como equilibrar vendas, custos, caixa e pessoas sem comprometer o futuro da
empresa.
Ao longo do episódio, Rodrigo compartilha sua
trajetória em áreas de planejamento e finanças, passando por empresas de
serviços, startups e operações com diferentes níveis de maturidade. A
experiência prática é usada como base para um ponto central defendido de forma
consistente: reestruturar financeiramente não é apenas cortar despesas, mas
entender profundamente o negócio, seus produtos, seus custos reais e a forma
como o dinheiro circula dentro da operação. Segundo ele, muitas empresas
apresentam margens aparentemente saudáveis, mas enfrentam sérios problemas de
caixa por falta de integração entre comercial, financeiro e controladoria.
Pedro Felipe conduz a conversa provocando
reflexões sobre a realidade de empresas de prestação de serviços, especialmente
aquelas que iniciam o mês sem clareza total sobre quanto irão faturar. Nesse
cenário, a previsibilidade é menor, o risco é maior e a disciplina financeira
precisa ser ainda mais rigorosa. Marcos Guerra complementa destacando que
vender sem critério pode ser tão perigoso quanto não vender. A busca por
crescimento a qualquer custo, sem respeito a uma margem mínima aceitável, tende
a gerar distorções que mais cedo ou mais tarde se transformam em crise.
Venda, margem e o risco de crescer sem controle
Um dos pontos mais relevantes do episódio é a
defesa da convivência produtiva entre as áreas comercial e financeira. Para
Rodrigo Mariusso, se essas áreas não discordam em algum momento, algo está
errado. O conflito saudável é o que garante equilíbrio. Enquanto o comercial puxa
para o crescimento, o financeiro impõe limites baseados em dados, custos,
impostos e capacidade operacional. O problema surge quando uma dessas forças se
sobrepõe completamente à outra, criando decisões desconectadas da realidade do
negócio.
Indicadores financeiros exigem contexto e integração
A discussão avança para o uso de indicadores
financeiros e, nesse momento, o episódio se distancia de abordagens simplistas.
O EBITDA é reconhecido como uma métrica importante, mas insuficiente quando
analisada isoladamente. Fluxo de caixa, segundo Rodrigo, continua sendo o
termômetro mais sensível da saúde financeira, especialmente em períodos de
instabilidade. Empresas podem apresentar bons resultados contábeis e ainda
assim quebrar por falta de liquidez, assim como podem ter margens menores, mas
sobreviver graças a uma gestão de caixa eficiente e negociações bem conduzidas
com fornecedores e clientes.
Reestruturação financeira não pode ignorar cultura e pessoas
Outro eixo central da conversa é a cultura
organizacional. O episódio alerta para um erro comum em processos de
reestruturação: cortar pessoas e custos sem avaliar o impacto cultural.
Decisões tomadas apenas com base em números podem destruir ativos intangíveis
valiosos, como conhecimento, engajamento e identidade organizacional. Rodrigo
Mariusso relata situações em que demissões aparentemente necessárias geraram,
no médio prazo, custos ainda maiores com recontratações e perda de alinhamento
interno. Para ele, reestruturar sem destruir a cultura exige critério,
sensibilidade e compreensão do papel das pessoas no desempenho financeiro da
empresa.
Planejamento financeiro exige cenários realistas
O episódio também aborda planejamento e
projeções financeiras, defendendo uma postura menos otimista e mais analítica.
Trabalhar apenas com cenários favoráveis cria falsas expectativas e aumenta o
risco de decisões equivocadas. A construção de cenários pessimistas e realistas
é apresentada como uma prática essencial para garantir que a empresa consiga
honrar seus compromissos mesmo quando o mercado não responde como esperado.
Essa abordagem, segundo Rodrigo, foi determinante para atravessar momentos
críticos ao longo de sua carreira.
Gestão financeira profissional como fator de sobrevivência
Ao final, Pedro Felipe e Marcos Guerra
reforçam a principal mensagem do episódio: finanças não devem ser tratadas de
forma amadora ou intuitiva. A gestão financeira exige método, dados,
acompanhamento constante e profissionais que compreendam profundamente o
negócio, e não apenas números em planilhas.
Fonte:
Portal Contraponto