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Dicionário Empresarial: O que é score?


Publicada em 09/07/2026 às 14:00h 

Utilizado por bancos, financeiras e varejistas, o score ajuda a medir o risco de inadimplência e influencia a concessão de crédito aos consumidores

Uma atendente de loja de roupas pergunta ao consumidor: "Gostaria de fazer o cartão da loja para ganhar 10% de desconto na compra?" O consumidor, animado, responde: "Sim!" Após uma rápida consulta no computador, a atendente informa, desanimada: "Sinto muito, mas o senhor não tem score suficiente".

O score de crédito nacional é um sistema de pontuação analítica que auxilia as empresas a entender o nível de risco ao conceder crédito a determinado cliente, especialmente pessoa física, com base em sua vida financeira. A pontuação demonstra a probabilidade de inadimplência futura do consumidor, de acordo com o seu atual momento financeiro. Por exemplo, se o consumidor tem um score baixo, significa que ele não está em um momento financeiro propício à concessão de crédito.

"Essa probabilidade indica as chances de o consumidor pagar as contas em dia nos próximos 12 meses", explica Bany Fard, especialista em investimentos e negócios internacionais. Apesar de ser um sistema informativo utilizado por muitas empresas privadas na concessão de crédito, não é a única metodologia adotada pelas instituições financeiras. Segundo Fard, cada instituição possui sua própria metodologia para analisar os riscos da concessão de crédito para cada cliente.

O score geralmente é utilizado por empresas privadas que possuem seus próprios cartões de crédito, os cartões de loja, como redes de supermercados e de vestuário. Para as empresas que concedem crédito, é uma forma de se resguardarem ao analisar com mais precisão os riscos envolvidos, com o objetivo de evitar fraudes, excesso de endividamento e, consequentemente, prejuízos.

A pontuação para pessoas físicas e jurídicas possui metodologias semelhantes. No entanto, as regras de análise para empresas são diferentes das utilizadas para pessoas físicas, pois consideram fatores como histórico de faturamento, pagamento a credores e níveis máximos de endividamento em relação ao faturamento líquido.

Embora o score seja utilizado tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, ele tende a ser mais relevante para pessoas físicas, especialmente na concessão pelo varejo.

De acordo com Marcos Coque, diretor de analytics da Equifax Boa Vista, a consulta do score permite que as empresas realizem análises de risco mais precisas e definam estratégias de concessão de crédito mais adequadas aos diferentes perfis de consumidores.

"Além do score, a Equifax também disponibiliza indicadores complementares que podem apoiar a análise de crédito, como renda presumida e capacidade de pagamento. Dentro desse conjunto, há informações como saldo disponível para novos compromissos financeiros e comprometimento de renda, que ajudam as empresas a compreenderem de forma mais ampla a situação financeira do consumidor", diz Coque.

Pontuação

Normalmente, a pontuação varia de 0 a 1.000 pontos, sendo essa a escala mais utilizada por empresas de análise de score, como Equifax Boa Vista e Serasa. As faixas de classificação variam conforme demonstrado abaixo:

0 a 300 pontos - Muito baixo (alto risco de inadimplência);

301 a 500 pontos - Baixo (probabilidade considerável de inadimplência);

501 a 700 pontos - Bom (baixa chance de inadimplência e alta probabilidade de concessão de crédito);

701 a 1.000 pontos - Excelente (baixa probabilidade de inadimplência e alta chance de concessão de crédito).

De acordo com Fard, todo consumidor maior de idade e economicamente ativo é considerado automaticamente pelo sistema de análise, que monitora sua pontuação ao longo do tempo. O cidadão normalmente começa com uma pontuação média e, conforme seu histórico de pagamentos evolui, essa pontuação pode influenciar a obtenção de empréstimos ou financiamentos.

O que afeta o score?

Hábitos de pagamento - A pontualidade no pagamento de faturas e parcelas auxilia na manutenção de uma boa pontuação.

Dívidas - Ter dívidas em atraso afeta negativamente a pontuação.

Experiência com crédito - O histórico de utilização de crédito permite às empresas avaliar há quanto tempo o cliente utiliza crédito, seu histórico de pagamentos em dia, entre outros fatores.

Busca por crédito - O número de consultas realizadas por empresas de crédito ao CPF do consumidor pode afetar a pontuação.

"Se um consumidor tem uma pontuação baixa e é identificada uma alta quantidade de consultas ao CPF, isso pode penalizar sua pontuação, pois pode indicar que ele está tentando contrair novas dívidas", diz Fard.

No entanto, caso o consumidor tenha uma boa pontuação, o elevado número de consultas ao seu CPF apenas demonstra que ele está avaliando diferentes opções de crédito, sem efeito relevante sobre sua pontuação.

Dados cadastrais - O preenchimento e a atualização das informações pelo próprio consumidor junto às empresas que analisam o score tendem a afetar positivamente a pontuação.

Como aumentar a pontuação?

É possível melhorar a pontuação por meio da adesão ao Cadastro Positivo, sistema nacional de histórico de pagamentos regulamentado pelo Banco Central, dentro das plataformas de análise de dados. Por meio dele, o consumidor registra o pagamento de contas como água e energia elétrica, que nem sempre são consideradas pelas empresas de análise de pontuação de crédito, demonstrando, assim, um bom histórico financeiro.

Outra boa prática é pagar todas as contas em dia, principal fator que influencia o score. Além disso, negociar dívidas em aberto também é importante para consumidores ou empresas que desejam melhorar sua pontuação, retirando restrições dos órgãos de proteção ao crédito e melhorando sua imagem diante do mercado.

Também é possível ativar o Open Finance, permitindo o compartilhamento de dados financeiros entre bancos, como histórico de crédito, investimentos e transações. Isso pode facilitar a obtenção de crédito com taxas mais competitivas.

Fard também explica que é importante não consultar diversas linhas de crédito em um curto período de tempo, pois isso pode sinalizar risco ao mercado ou até mesmo necessidade urgente de crédito, especialmente se a pontuação não estiver elevada.

Além disso, manter contas de consumo, como água e energia elétrica, vinculadas ao próprio CPF ajuda a criar um histórico mensal de pagamentos, contribuindo positivamente para o score. "Quando o consumidor tem uma empresa e acaba colocando todas as contas no CNPJ, isso deixa o CPF invisível", explica.

Outro fator de atenção é pagar apenas o valor mínimo da fatura do cartão de crédito. Em um cenário de alta inadimplência, esse comportamento pode afetar negativamente a pontuação.

Mitos e verdades

De acordo com Fard, consumidores e empresas devem tomar cuidado com propostas "milagrosas" de aumento de score, como consultorias que prometem elevar a pontuação em até 24 horas mediante pagamento. Isso não é possível devido às metodologias estatísticas e graduais utilizadas pelos sistemas de score.

Além disso, algumas pessoas oferecem serviços para apagar consultas ao CPF, algo que não é possível, pois essas informações permanecem registradas nas empresas de proteção ao crédito. O especialista também ressalta que quitar uma dívida não melhora o score automaticamente, sendo um processo gradual.

Outro mito é acreditar que a autoconsulta do score reduz a pontuação. Isso não é verdade. O consumidor pode consultar seu próprio CPF de forma ilimitada, sem qualquer efeito sobre a pontuação, seja pessoa física ou jurídica. Para isso, basta realizar um cadastro em plataformas como Equifax Boa Vista ou Serasa e consultar gratuitamente suas informações.

Possuir o nome limpo é um fator positivo, mas não garante score alto, segundo Coque. Isso porque o score é calculado com base em um conjunto amplo de informações relacionadas ao comportamento financeiro do consumidor.

Assim como uma pontuação baixa não exclui automaticamente um consumidor da possibilidade de obter crédito. Embora as instituições financeiras considerem o score, outros fatores, como metodologias próprias de análise e as taxas de juros, também influenciam a concessão.

É possível conseguir crédito estando negativado?

Segundo Fard, mesmo consumidores considerados negativados, com o CPF inscrito nos órgãos de proteção ao crédito, podem conseguir acesso a empréstimos. No entanto, trata-se de um processo mais difícil, geralmente acompanhado de taxas de juros mais elevadas. Para as instituições que concedem crédito, essa é uma estratégia para atrair mais clientes.

"Quando um banco fornece crédito a uma pessoa negativada, isso significa que a instituição está reduzindo deliberadamente sua régua de risco para atrair mais clientes, assumindo determinada taxa de inadimplência e compensando esse risco com juros mais altos", explica Fard.

"Por que isso acontece? A probabilidade é de que, entre 10 mil pessoas negativadas, apenas 5% deixem de pagar o crédito, ou seja, 500 consumidores. Assim, as instituições financeiras distribuem o custo dessas perdas entre os bons pagadores, cobrando taxas de juros mais altas", completa Fard.

Nota M&M: Conheça o significado de outros termos utilizados no meio empresarial, acessando o Dicionário Empresarial da M&M. Clique em: https://mmcontabilidade.com.br/DicionarioEmpresarial.aspx

Fonte: Diário do Comércio, com edição do texto pela M&M Assessoria Contábil








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