Volume coloca o
Brasil acima da média global, que chegou a 2.270 ataques semanais por
organização, alta de 10% em junho/2026 em relação a maio/2026 e de 17% na
comparação anual. Governo é o setor mais atacado.
Cada organização brasileira sofreu, em média, 4.001 ataques
cibernéticos por semana em junho de 2026, um crescimento de 44% em relação ao
mesmo período do ano passado, segundo o relatório mensal de inteligência de
ameaças da Check Point Research (CPR), divisão de inteligência em ameaças da
Check Point Software. O volume coloca o Brasil acima da média global, que
chegou a 2.270 ataques semanais por organização, alta de 10% em relação a maio
e de 17% na comparação anual.
No Brasil, o setor governamental permaneceu como o mais atacado
durante o mês passado. Bens e Serviços de Consumo e Energia e Serviços Públicos
(Utilities) aparecem na sequência entre os segmentos mais visados no país. Os
dados do relatório da CPR mostram que junho interrompeu a relativa estabilidade
observada em maio. Em vez de um aumento concentrado em uma região ou setor específico,
o crescimento dos ataques ocorreu de forma ampla em diferentes mercados e
segmentos, indicando uma expansão das operações dos cibercriminosos para um
conjunto maior de alvos.
"O avanço observado em junho reflete uma retomada ampla da
atividade cibernética, e não um pico isolado de ataques", afirma Omer
Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research. "Os
cibercriminosos estão ampliando seu alcance entre regiões e setores, enquanto
os grupos de ransomware continuam se reorganizando e aumentando sua escala de
atuação", adiciona.
América Latina lidera volume de ataques
A América Latina permaneceu como a região mais atacada do mundo em
junho, com média de 3.501 ataques semanais por organização, crescimento de 27%
na comparação anual. A região foi seguida por Ásia-Pacífico, com 3.060 ataques
semanais, e África, com 3.008, apesar de queda de 9% em relação ao ano
anterior. Europa e América do Norte também registraram aumento expressivo, de
22% e 14%, respectivamente. Segundo a CPR, esse avanço simultâneo em diferentes
regiões reforça que a alta observada em junho refletiu uma escalada global da
atividade dos atacantes.
Educação é o setor mais atacado no mundo
Globalmente, Educação permaneceu como o setor mais visado, com
média de 4.816 ataques semanais por organização, aumento de 16% em relação a
junho de 2025. Redes abertas, alta rotatividade de dispositivos e recursos
limitados para segurança continuam tornando escolas e universidades alvos
atrativos para os atacantes. Na sequência aparecem Governo, com 2.836 ataques
semanais, alta anual de 5%, e Telecomunicações, com 2.835 ataques, crescimento
de 13%. Juntos, esses três segmentos continuam concentrando uma parcela
desproporcional do volume global de ataques.
Uso corporativo de IA generativa mantém risco elevado de exposição
de dados
O uso de ferramentas de IA generativa continuou representando um
risco relevante para as empresas em junho. A equipe da Check Point Research
identificou que um em cada 26 prompts enviados a essas ferramentas a partir de
redes corporativas apresentava alto risco de vazamento de informações
sensíveis, o equivalente a uma taxa global de 3,9%. A atividade de alto risco
foi identificada em 85% das organizações que utilizam regularmente ferramentas
de IA generativa. Além disso, 27% dos prompts continham informações
potencialmente sensíveis.
O levantamento também mostra que cada organização utilizou, em
média, sete ferramentas diferentes de IA generativa durante o mês de junho,
enquanto cada usuário produziu 78 prompts, indicando que essas aplicações
passaram a integrar a rotina de trabalho em diversas empresas.
Nesse cenário, o risco não está relacionado ao uso de IA pelos
cibercriminosos nem a falhas dos modelos, mas ao conteúdo inserido pelos
próprios usuários. Registros de clientes, documentos internos, informações de
infraestrutura, dados financeiros, materiais jurídicos e informações de
recursos humanos continuam sendo compartilhados em ferramentas públicas ou sem
gerenciamento adequado.
A América Latina apresentou a maior taxa de exposição relacionada à
IA generativa, com 5,2% dos prompts classificados como de alto risco, acima da
média global de 3,9%. A Europa ficou exatamente na média mundial, enquanto
América do Norte e Ásia-Pacífico registraram 3,6% e 3,5%, respectivamente.
Entre os setores econômicos, Saúde apresentou a maior taxa de
exposição, com 5,7%, seguido por Telecomunicações e Serviços Empresariais,
ambos com 5,1%, e Tecnologia da Informação, com 4,1%. Os dados pessoais
apareceram em 80% das organizações afetadas, seguidos por informações de redes
e infraestrutura (62%), documentos legais e regulatórios (61%), dados
financeiros (60%) e registros de funcionários (57%).
Fonte:
Convergência Digital