Operação combate organização responsável por sonegação fiscal, lavagem de
dinheiro e fraudes
A
Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram, nesta quinta-feira, 28 de
agosto de 2025, a Operação Tank, que investiga a lavagem de dinheiro do crime
organizado, o contrabando de produtos químicos e sonegação fiscal em uma rede
de postos e distribuidoras de combustíveis.
Os
trabalhos investigativos tiveram início em meados de 2023 quando um
ex-condenado por tráfico internacional e investigado na operação FERRARI e sua
esposa começaram a ostentar bens de luxo em um condomínio de alto padrão em Pinhais
- PR, região metropolitana de Curitiba - PR, sem lastro fiscal para tanto. Ao
todo, dentro do período investigado, somente esse casal teve mais de R$ 34
milhões disponíveis sem origem lícita comprovada aplicados em imóveis,
veículos, embarcações e outros bens de luxo.
Descobriu-se
então que eles teriam se associado a outros membros em uma empresa de produtos
químicos em uma distribuidora de petróleo com sede administrativa em Pinhais -
PR e com sede operacional em Paulínia - SP, utilizando-se dessas empresas para
provável mistura ilegal em combustíveis com Nafta e Metanol.
Por
meio dessas adulterações de combustíveis, foi possível o Grupo criminoso lavar
e inserir recursos financeiros na economia formal mediante depósitos em espécie
fracionados e, também, mediante transferências feitas por empresas de
"representação, assessoria e participação e de apoio administrativo", muitas
delas em nome de interpostas pessoas.
No
total, o grupo criminoso ocultou e dissimulou a origem ilícita de não menos que
R$ 594 milhões em depósitos em espécie não identificados, utilizando-se para
tanto de diversas empresas ligadas ao Grupo Criminoso, como Distribuidora,
Postos de Combustíveis e Lojas de Conveniências, além da utilização de
Instituição de Pagamentos - IP também pertencente ao grupo, que servia como uma
"barreira" para ocultar ou dissimular a origem e o destino dos recursos.
Além
dos depósitos em espécie, há ao menos 121 empresas suspeitas que transferiram
em torno de R$ 1,4 bilhões para as contas da Distribuidora sem justificativa
conhecida e sem documentação que desse amparo às transações. Esta mesma
Distribuidora de Petróleo declarou faturamento de mais de 7 bilhões entre 2020
e 2023. Contudo, as evidências demonstraram que a empresa foi constituída,
financiada e continuou operando com recursos ilícitos ao longo dos anos.
Uma
outra Instituição de Pagamentos com sede na cidade de São Paulo - SP também
utilizada para a dissimulação da origem e destino dos recursos, tendo enviado
mais de R$ 400 milhões para as contas dessa Distribuidora sem que se saiba a
verdadeira origem dos recursos.
Ao
todo, acredita-se que foram movimentados mais de R$ 20 bilhões em transações
bancárias, estima-se que foram deixados de arrecadar algo em torno de R$ 4
bilhões em tributos federais, além de aproximadamente 1 bilhão de reais que
estão inscritos em dívida ativa.
Os
mandados foram autorizados pela 13ª Vara Federal de Curitiba-PR e as ações
ocorrem em cidades dos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Ao
todo foram cumpridos 43 mandados de Busca e Apreensão e 14 de prisão.
Participam
da operação 14 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal e
cerca de 170 policiais federais.
Fonte:
Receita Federal do Brasil, com edição do texto pela M&M
Assessoria Contábil