Público-alvo deve
ser pessoas que ganham até cinco salários mínimos com dívidas em atraso no
cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia
O Ministério da
Fazenda trabalha com um prazo de três meses para a renegociação de dívidas de brasileiros
inadimplentes no novo programa que está sendo preparado pelo governo, de acordo
com interlocutores a par das discussões. O governo corre contra o tempo para
fechar o desenho nas próximas semanas para anunciar a benesse até o fim de
abril/2026, com o objetivo de valer já em maio/2026, com a marca simbólica do
dia do Trabalhador.
Mas ainda não estão fechados parâmetros
fundamentais, como o volume de recursos que serão alocados no Fundo Garantidor
de Operações (FGO), o desconto mínimo e a taxa de juros máxima que será cobrada
nas renegociações. Segundo pessoas com conhecimento no assunto, a ideia é que
os descontos sejam proporcionais à idade da dívida, quanto mais velha, maior o
desconto. Em relação à taxa de juros, a tendência é que fique próxima a 2% ao
mês.
O público-alvo deve
ser pessoas que ganham até cinco salários mínimos com dívidas em atraso no
cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia. O governo
queria limitar o período de atraso de 60 a 360 dias, mas ainda há negociação se
poderia ser a partir de 90 dias ou por mais de um ano.
Em relação ao FGTS, a intenção do governo é
possibilitar o saque de até 20% do saldo para o pagamento de dívidas. Além
disso, a proposta é ter uma trava de seis meses para aposta em bets pelo cliente
beneficiado. Há uma questão ainda que precisa ser debatida sobre o
credenciamento de todas as instituições financeiras interessadas em participar
no FGO.
Nesta segunda-feira
(13/04/2026), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniu com representantes
do setor financeiro em São Paulo. A ideia é que os parâmetros do programa em
aberto sejam negociados ao longo desta semana para que Durigan possa validar o
desenho final com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana.
O ministro da Fazenda
viaja nesta segunda para os Estados Unidos para participar das reuniões do
Fundo Monetário Internacional (FMI). Depois, encontra Lula na Europa. Assim que
o programa for anunciado, o objetivo é de que já valha imediatamente.
Com o prazo curto,
inicialmente o governo deve focar na proposta para inadimplentes, mas ainda
está estudando como pode aliviar as famílias que estão com o orçamento apertado
por causa do pagamento de dívidas, mas estão em dia com os compromissos.
Há uma avaliação no
governo de que os bons números da economia não estão se refletindo em boas
avaliações para Lula devido ao alto comprometimento da renda das famílias com
as dívidas. Esse indicador está no maior patamar da série histórica do Banco
Central, em 29,3%, segundo o último dado disponível, em janeiro.
Fonte:
Folha de Pernambuco, com edição do texto pela M&M
Assessoria Contábil