Pesquisa mostra setor resiliente, com
expectativas positivas, mas ainda diante de desafios estruturais e novas
exigências regulatórias
A Fecomércio-RS divulgou a
Sondagem de Meios de Hospedagem, realizada com 385 estabelecimentos de hotéis e
similares em todo o Rio Grande do Sul. As entrevistas foram realizadas entre os
dias 23 de junho e 13 de julho de 2026. Além de traçar o perfil do setor e
avaliar o desempenho recente dos negócios, esta edição investigou como as
empresas estão lidando com diferentes mudanças que impactam a atividade, entre
elas a implantação da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) Digital, a
adaptação à reforma tributária, as discussões sobre possíveis alterações na
jornada de trabalho e a adequação à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). O acesso
aos resultados da pesquisa estão no link, no final desta matéria.
Os resultados revelam um
setor consolidado e resiliente, mas que ainda convive com desafios importantes.
Embora a maioria dos empresários avalie positivamente a situação financeira de
seus negócios e mantenha expectativas favoráveis para os próximos meses,
fatores como a sazonalidade da demanda, a elevada carga tributária, os reflexos
das enchentes de 2024 e a adaptação às novas exigências regulatórias continuam
impondo desafios à atividade.
O levantamento mostra que
75,8% dos estabelecimentos estão em operação há mais de dez anos, evidenciando
a maturidade do setor. Também foi traçado o perfil da demanda: em média, 62,7%
dos hóspedes são gaúchos, 31,2% vêm de outros estados e 6,2% do exterior. O
turismo de negócios permanece como a principal fonte de faturamento para 51,2%
dos estabelecimentos. Esse perfil se reflete na ocupação, que permanece mais
intensa nos dias de semana, conforme apontado por 58,2% dos empresários.
Na avaliação financeira,
58,0% dos empresários classificam a situação da empresa como boa ou muito boa,
enquanto 35,8% a consideram regular e 6,2% a avaliam como ruim ou muito ruim.
Apesar dessa percepção predominantemente positiva, os impactos das enchentes de
2024 ainda persistem para parte do setor. Entre os estabelecimentos que
sofreram algum impacto, apenas 34,4% afirmam ter se recuperado totalmente e
19,1% quase totalmente. Entre aqueles que ainda enfrentam dificuldades, os
principais reflexos são a redução do faturamento (52,3%), o prejuízo financeiro
(45,3%) e a perda de clientes (45,3%).
O desempenho recente também
revela um cenário heterogêneo. Enquanto 49,1% dos empresários avaliaram as
vendas dos últimos seis meses como boas, muito boas ou excelentes, 37,1%
classificaram o período como regular e 13,8% como ruim. Em relação à ocupação
no primeiro semestre de 2026, quase metade dos estabelecimentos (47,5%)
informou que o resultado ficou abaixo das expectativas, percentual praticamente
igual ao daqueles que afirmaram ter atingido o esperado (47,8%), enquanto
apenas 4,7% registraram desempenho superior ao previsto.
Entre os principais desafios
internos destacam-se a sazonalidade da ocupação, apontada por 53,0% dos
entrevistados, seguida pela alta rotatividade de funcionários (26,2%) e pela
gestão financeira (16,6%). No ambiente externo, a carga tributária aparece como
a principal preocupação, citada por 47,5% das empresas, seguida pelo aumento
dos custos (26,8%), pela falta de atrativos na localidade (17,4%) e pela
concorrência no setor (16,6%).
Mesmo diante desse cenário,
as expectativas para o futuro permanecem favoráveis. A maioria dos empresários
(56,9%) espera crescimento das vendas nos próximos seis meses, enquanto 32,5%
projetam estabilidade. Em relação ao quadro de pessoal, 24,2% pretendem ampliar
o número de funcionários e 63,4% esperam mantê-lo inalterado. Além disso, 47,5%
dos estabelecimentos planejam realizar investimentos em infraestrutura,
modernização ou sistemas.
A pesquisa também evidencia
que as empresas ainda se encontram em diferentes estágios de adaptação às
mudanças regulatórias. Em relação à Ficha Nacional de Registro de Hóspedes
(FNRH) Digital, 38,7% dos estabelecimentos já concluíram a implementação,
enquanto 28,1% ainda estão em processo de adaptação, 20,0% não iniciaram a
implantação e 13,2% afirmam desconhecer a nova exigência.
No caso da Norma
Regulamentadora nº 1 (NR-1), apenas 24,9% das empresas afirmam estar totalmente
adaptadas ou em estágio avançado de adequação. Em contrapartida, 31,9% ainda
não iniciaram ou estão apenas no início do processo, e 33,8% informam não
conseguir avaliar ou desconhecem as adequações necessárias as exigências da
norma.
Em relação à reforma
tributária, embora 42,3% dos empresários relatem ter realizado todas as
adaptações necessárias com facilidade, a maioria (57,7%) ainda enfrenta
dificuldades, não concluiu as adequações ou desconhece as mudanças necessárias.
A pesquisa também investigou os possíveis impactos de alterações na legislação
trabalhista. Para 37,7% dos entrevistados, uma eventual mudança na escala 6x1
teria alto impacto sobre o estabelecimento, percentual semelhante ao observado
para uma possível redução da jornada semanal de 44 para 40 horas (36,4%).
"A pesquisa mostra um setor resiliente, que mantém confiança no
crescimento dos negócios, mas que segue enfrentando desafios importantes. Além
de questões tradicionais, como a sazonalidade da demanda e a carga tributária,
os empresários convivem com um processo intenso de adaptação a novas exigências
regulatórias e acompanham discussões sobre mudanças na legislação trabalhista.
Nesse contexto, fortalecer a gestão dos negócios torna-se ainda mais relevante
para aumentar a capacidade de adaptação das empresas e preservar sua competitividade
em um ambiente de constantes mudanças", afirma o presidente do Sistema
Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn.
Veja a Sondagem completa aqui.
Fonte:
Fecomércio do RS, com edição do texto pela M&M
Assessoria Contábil,