Famílias se
antecipam para evitar novas regras de transmissão de bens
A Reforma Tributária
promulgada em dezembro de 2023 provocou um aumento no número de doações de
imóveis em todo o país. Segundo o Colégio Notarial do Brasil (CNB), em 2025,
foram registradas 185.861 escrituras públicas - um crescimento de 59% em
comparação aos 116.225 atos formalizados em 2020.

Para especialistas,
a "corrida" aos cartórios e à plataforma digital do CNB, o e-notariado,
reflete uma crescente busca das famílias para antecipar a transferência de
patrimônio, antes da entrada em vigor das novas regras do Imposto sobre
Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).
O ITCMD é um imposto
que os estados e o Distrito Federal cobram sobre a herança e a doação de bens
ou direitos patrimoniais. Cada unidade federativa tem autonomia para definir
seus próprios prazos e taxas.
Com a gradual
entrada em vigor da Reforma Tributária, quanto maior for o valor do bem maior
será o percentual das alíquotas do ITCMD, podendo chegar ao máximo de 8%.
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A título de exemplo,
no Distrito Federal, o governo distrital cobra uma alíquota progressiva de 4% a
6% para heranças e doações, independentemente do valor do patrimônio
transmitido. Em São Paulo, há dois projetos de lei em discussão na Assembleia
Legislativa: um que reduz a alíquota progressiva atualmente cobrada no estado,
limitando-a ao máximo de 4%, e outro que institui o teto de 8%.
Além disso, conforme
o texto da Emenda nº 132/2023, que institui a Reforma Tributária, a
base de cálculo do imposto passará a ser o valor de mercado do imóvel ou bem, e
não mais seu valor patrimonial - geralmente, mais baixo.
"A expectativa é que
esse volume de doações continue crescendo e, portanto, também as lavraturas de
escrituras", declarou, em nota, o presidente do CNB, Eduardo Calais.
Ainda segundo a
entidade, que representa os mais de 9 mil notários e tabeliães do Brasil, o
registro de escrituras públicas de doações de imóveis começou a aumentar já em
2020, antes mesmo da Reforma Tributária ser promulgada, mas se intensificou nos
últimos anos, até atingir, em 2025, o maior número da série histórica.
"Nos últimos meses,
é nítido o aumento na procura de clientes que buscam antecipar sua sucessão
patrimonial, seja por meio de doações diretas a descendentes, seja pela
integralização de ativos em holdings familiares", acrescentou, na
mesma nota, Joanna Oliveira Rezende Barbosa, especialista em planejamento patrimonial.
Para os
especialistas, há muitas famílias acompanhando a movimentação legislativa nos
estados e no Distrito Federal para decidir se antecipam as doações em vida, e
como fazê-las. Até porque, conforme já estabelecido pelo Supremo Tribunal
Federal (STF), mudanças na cobrança do imposto precisam ser previamente
aprovadas e regulamentadas pelo poder local.
Doações exigem
cautela
Por outro lado, o
advogado Matheus Bertolo Piconez alerta que agir impulsivamente pode gerar
uma série de problemas, inclusive familiares.
Por exemplo: se os
pais antecipam a doação para o(s) filho(s) do único imóvel que possuem, sem
estabelecer seu direito de, enquanto vivos, continuarem morando ou se
beneficiando da renda gerada pelo bem, passarão a depender da boa vontade do(s)
herdeiro(s).
"A antecipação faz
sentido quando vem acompanhada de planejamento completo, não como uma corrida
de última hora", acrescentou o advogado.
Piconez
destaca a importância de o interessado também definir os termos gerais do
acordo de transmissão do bem e verificar se dispõe dos recursos financeiros
necessários para honrar despesas imediatas, já que a doação de um imóvel ou
patrimônio não elimina a obrigação de pagar o ITCMD e outras despesas.
Presidente da seção
do Colégio Notarial do Brasil no Distrito Federal, Geraldo Felipe de Souto
destaca que, além de poderem registrar as escrituras remotamente, por meio da
plataforma e-notariado, é possível realizar o planejamento sucessório sem abrir
mão do pleno controle patrimonial. Uma das opções mais adotadas para isto é a
chamada doação com reserva de usufruto.
"A Reforma
Tributária trouxe urgência para conversas que muitas famílias ainda não tinham
tido. Planejar a sucessão patrimonial deixou de ser algo para o futuro e passou
a ser uma decisão do presente", comentou Souto, garantindo que os cartórios de
notas estão prontos para orientar cada família sobre as melhores alternativas
para cada caso.
Holding Patrimonial
é uma alternativa
De acordo com o
Contador Marcone Hahan de Souza, da M&M Assessoria Contábil, "uma das
formas para fugir da alta carga tributária que incide na transferência e na
tributação sobre os rendimentos de aluguéis é a holding patrimonial. Inclusive,
trata-se de um planejamento mais amplo, abrangendo, além do planejamento
tributário, a proteção patrimonial e o planejamento sucessório."
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Nota M&M: A M&M Assessoria Contábil tem
expertise no planejamento e constituições de holding familiar com objetivos
de planejamento tributário, proteção patrimonial e planejamento sucessório.
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Fonte: Agência Brasil / M&M
Assessoria Contábil